O que é a rentabilidade real de uma excursão

A rentabilidade real de uma excursão é o que sobra para a agência depois de pagar tudo o que aquela saída custou. Não é o preço de venda menos o custo do fornecedor principal, que é a conta que quase todos fazem de cabeça.

A diferença entre as duas contas está nos custos pagos por saída e não por passageiro: a van, o guia, o pedágio. Esses não mudam se viajam duas pessoas ou dez, então a margem por passageiro se move com cada reserva que entra.

Os custos de uma excursão, um por um

Os custos de uma excursão são de duas classes, e o que as separa não é quanto valem, mas como se multiplicam: há custos por passageiro e custos por saída.

CustoPagoMoeda habitualQuando se sabe
Ingressos, almoço, equipamentoPor passageiroA do fornecedorAo cadastrar o produto
Navegação ou excursão de terceiroPor passageiroÀs vezes em dólaresAo cadastrar o produto, com sua tarifa de agência
GuiaPor saídaMoeda localAo cadastrar o produto
Veículo e combustívelPor saídaMoeda localAo cadastrar o produto, salvo se o frete mudar por temporada
Comissão do meio de pagamentoPor vendaA do recebimentoQuando o pagamento entra
Comissão para outra agênciaPor vendaA da vendaQuando a venda vem da rede B2B

Os custos do produto se cadastram uma vez e valem para todas as saídas. As comissões aparecem depois de vender, e são elas que fazem a rentabilidade do orçamento ser diferente da que sobra.

O ponto de equilíbrio: quantos passageiros cada saída precisa

O ponto de equilíbrio de uma excursão é a quantidade de passageiros a partir da qual a venda cobre os custos da saída. Abaixo desse número a saída opera com prejuízo, mesmo com o preço por pessoa igual.

Veja o city tour de uma agência receptiva, a ARS 56.000 por pessoa, com van e guia próprios:

4 passageiros2 passageiros
VendaARS 224.000ARS 112.000
Guia (por saída)ARS 45.000ARS 45.000
Van (por saída)ARS 60.000ARS 60.000
Ingressos (ARS 9.500 por passageiro)ARS 38.000ARS 19.000
Custo totalARS 143.000ARS 124.000
MargemARS 81.000 · 36 %ARS −12.000

É o mesmo produto, o mesmo preço e o mesmo fornecedor. Com quatro passageiros deixa 81.000 e com dois perde 12.000, e a única variável que mudou foi quanta gente entrou na van. Neste exemplo o ponto de equilíbrio está em três passageiros.

Por isso convém decidir o mínimo antes de publicar a excursão: abaixo desse número, ou ela se junta com outra saída, ou é vendida como privativa, ou não opera. É a mesma decisão que está atrás do mínimo faturável que as agências usam nos serviços.

Duas moedas são duas rentabilidades

Quando o produto é vendido em uma moeda e o fornecedor cobra em outra, há duas margens, e elas não se somam.

Uma navegação vendida a USD 145 por pessoa que o operador liquida a USD 112 deixa USD 33 por passageiro. O city tour do exemplo deixa moeda local. Converter os dólares para ver "a rentabilidade do dia" obriga a escolher uma cotação, e essa cotação muda o resultado: o número que sai não é um dado, é uma opinião sobre o dólar.

A forma honesta de olhar é por moeda: tanto em pesos, tanto em dólares. E quando a venda está em uma moeda e o custo em outra, o risco de câmbio faz parte da margem e deve estar escrito, não na cabeça.

O que come a rentabilidade depois da venda

A rentabilidade calculada no orçamento quase nunca é a que sobra, porque quatro coisas descontam depois da venda.

A comissão do meio de pagamento leva um percentual de cada recebimento online, e no parcelado leva bem mais. A comissão para outra agência sai da mesma margem quando a venda vem da rede. Os descontos dados no balcão para fechar, se não são registrados, aparecem como um preço mais baixo sem explicação. E o no-show de uma saída que já operou deixa o custo inteiro sem a venda.

Nenhuma das quatro se evita por completo. O que se pode é tê-las na mesma conta, para que a margem por produto que você olha no fim do mês inclua o que realmente aconteceu e não o que se esperava no orçamento.

Como se olha a margem por produto em um sistema para agências de viagens

Um sistema para agências de viagens serve para isso quando guarda o custo junto ao produto e calcula a margem com os dados da venda, em vez de pedir uma planilha à parte no fim do mês.

No Viajalo o custo é cadastrado uma vez por produto, com sua moeda e com sua forma de se multiplicar — por passageiro ou por unidade — e cada venda mostra sua margem na moeda do produto. Três regras da tela, que são decisões e não detalhes:

  • A margem é mostrada por produto e por moeda, nunca somando moedas diferentes.
  • Se falta o custo de um fornecedor, a margem aparece como desconhecida, não como zero.
  • O imposto fica de fora: a venda guarda seu detalhamento, então a margem se calcula sobre o líquido.

O que nenhum sistema decide pela agência é como dividir um custo pago por saída. O custo é cadastrado por passageiro ou por unidade, e com quantos passageiros você está disposto a sair é definido por quem opera. Essa decisão, o mínimo por saída, é a que transforma o cálculo em uma regra de trabalho.